quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Tom destoante

Eu juro, prometo-me, que não mais nem nunca mais, mas de repente olho e vejo e quero, vejo e noto que estou onde prometi não estar, pois, talvez não seja no mesmo sítio, mas lá estou eu, onde não quero, mas a querer ir, é confuso perceber, bem sei. É uma divergência congregante de significados que sentidos numa unidade são, unidade essa em que seus elementos não são comuns mas convergem, para uma espiral de reacções químicas, viciada, que só dá aquele resultado, e cujos influentes exteriores circundantes, por seu vício obrigam-na a convergir para aquelas divergentes consequências, eu...E aqui pensando, jazendo, permito-me iludir, permito achar-me na execução de algo útil, impedindo-me por tal de perceber, que, não mais passo de que um amontoado congregado de massa biológica formado, ou talvez deformado por uma estrutura interna, estrutura esta, não a material, mas de sinapses, de impulsos, não eléctricos, mas electrizantes, mas a questão é que enquanto me acho útil nem me mexo, sim, se não contar-mos com a leve batida necessária para gravar um caracter nesta inútil mensagem.Inútil? sim em sentido lacto sim, mas ela é praticamente útil, pois serve o seu propósito egoísta de me libertar de fúrias e de me realizar inútil. Pena que esta auto-análise não me leva a acção, pois se escrever o fizesse, há muito muito que não escrevia, e talvez só o tivesse feito uma vez, para bem de outrem, para bem alheio.

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

"Ser que caminha" - O que o antigo me disse

Ser, seres,
Que caminham,
Não com intuitos, ou objectivo,
E se apenas sonham, é subjectivo.

Talvez se abstraiam de seu destino,
Não por desapontamento de sua banalidade comum,
Apenas pela sua fatalmente cruel realidade
Que nos consome, a todos, um por um.

Há aqueles que choram,
Choram desprovidos de sinal,
Choram porque perdidos se encontram,
Eu aqui choro, porque sei o final

E quanto mais perto se está,
Mais nos é consentido entender,
Que mais vezes podíamos perguntar o destino,
Parando para alguém intervir, e não por saber.

Os sulcos na cara de um antigo,
Não são carência de cedência dérmica,
Ou sequer inclemência térmica,
Mas mapas, por onde ir, ou por onde há perigo.

E estes disseram dizem e repetem,
E voltando a dizer reafirmam,
No atingir o alvo não intentem,
Quando é na viagem que ficam,

Gravados e eternizados,
Quais eternos viajantes,
Que não por chegar são lembrados,
Mas por viajar antes.

Portanto desejo,
Nunca atingir,
Nem nunca concretizar,
De modo a que me permita,
Ser o último a chegar.

Nesta caminhada que fazemos pelos caminhantes,
Não pelo destino, mais pela paisagem,
Por seus constituintes e intervenientes,
Pois aquando das placas sinalizando o destino,

Apenas olhamos,
Apenas ouvimos,
Apenas paramos,
Para apenas expirarmos.

E isto tudo me disse o antigo,
Sem sequer falar,
Sem sequer se abrir sua boca,
Por meio do que tais rugas pudessem albergar.
Que em tom rápido se despiam,
Antes de este expirar
Levando consigo seu mapa,
Deixando-me sem saber por onde caminhar.

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Perguntando Questiono, a quem rogando proponho, Resposta

Era noite, é noite, mostra o céu
Sim porque p'ra quem o sol não brilha
Será sempre breu

A renovação de um voltar constante
O remoer de uma verdade incomodante
Um querer disfarçado de desgosto
Um tentar camuflado no rosto

Uma culpa redireccionada
Um reencaminhar consciente
De uma consciência cicatrizada
De um querer já dormente

O ser é-se,
O querer tem-se,
E o querer muda-se!
Mas o ser mantém-se

De que valem?
Tantas observâncias
Interrogações sem findar
Haverá resposta com constância
P'ra quem não se finda em interrogar?

E a quem se interroga?
Pergunto também eu
Pergunto a quem roga
Sem resposta do céu

E a quem se roga
A pergunta é proposta
E questiono, talvez rogando
Talvez propondo uma resposta

Depois destas, resta a dúvida,
Esta, apenas e só,
Quando chegar resposta, fria e húmida
Não terei eu já voltado ao pó?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A colectividade da singular poesia

Um poeta será necessariamente
Nada mais que um memo fonético
Que vai desenhando seus pensamentos
De um modo directo, pouco ético

Faz que sente, finge que sente!
De modo a entregar sentimentos
De modo a ser artista, a sentir-se artista
Por sentir o que fingiu, por ser egoísta

Corre incansavelmente
Por entre linhas escritas outrora
Que nunca chegam, nem satisfazem
Que são breu, quebrando a aurora

Aclamados, mas não amados,
Por seu 'pai', seu criador
Triste pai, tristes criados
Tristeza publicada por meio de dor

O poeta será infeliz,
Tendo apenas de fingir,
Fingindo, entregando sensações
Mas é incapaz de a sentir

Será apenas um interprete
De sentimentos cogitados,
Qual poesia emocional,
Quais versos inventados

Por meio disto, correndo, me questiono
Não seremos todos poetas
Inventando o sentimento
Fingindo p'ra alcançar metas

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Auto de nós??

Há quem lhe chame de auto-estima
Há quem diga que a tenha
Há quem definhe em tê-la
Há aqueles para quem esta é estranha

Mas suponho que só por ser auto
Não se execute sozinha
Mas imagino talvez
Que a sua falta seja culpa minha

Visto ser auto-estima
É a minha estima por mim
Que minha responsabilidade é
Pois é esse o seu fim

Digo pois
Além de pleonasmo sem sentido
Que há quem a tenha
Mas oferecida pelo desconhecido

Pergunto portanto
Se tal não deveria
De nós próprios partir
Mas de facto seria
Ainda que incorrecção
Derivado directo
De uma auto -questão

E seria sem dúvida
"Auto-maticamente" irracional
Aceitar resposta de auto-análise
De quem se analisa de forma impessoal

Portanto auto não é de mim
Auto será eventualmente para mim
De origem incerta
Ou não de origem mas de fim

Espelho em mim
Incertezas de outrem
Pois sou apenas fim
De estimas que fossem

Estimo o que por outros não o é
Apenas porque quis ser
Só eu a estimá-lo
Para porventura poder
De auto-estima chamá-lo

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Se o sujeito for a suposição...

Se soubesse que assim era
Assim não fazia
Mas se soubesses o que queria
Assim não mo darias

Portanto, se assim tem de ser
Assim se será
Para que se eu entender
Se assim dará

Se eu fosse mais
Se eu conseguisse mais
Assim se seria de menos
Se controlasse ou se fosse demais

Se, o sujeito
è isso que expresso
Porque se o é
Se não é suspeito

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

A palavra como elemento perpetuador

A palavra...
Escrita, gravada
A perpetuação
Da "coisa" pensada

Escrevo
Não por prazer
Não por dor
Nem por lazer

De facto
Nem porque escrevo sei
No entanto escrevo
O que nunca esquecerei

Não esqueço porque escrevo
Mas não escrevo para não esquecer
Apenas faço por fazer
O que apenas faço por escrever

Qual melodia interminável
A escrita se torna um compasso eterno
Com ritmo a certo termo
De uma partitura, de um caderno

Não porque seja bonito
Ou sequer agradável
Apenas porque o é
Se torna inigualável

Bisando digo eu
Que escrita é perpetuação
Do ser e do dizer
De o de toda a condição

Por isso ouso
Escrever e eternizar
O ser e o dizer que fracos
São impossíveis de igualar