Domingo, 1 de Agosto de 2010

'Sofro, logo existo...'

Que te queima interiormente
E de seguida sutura
Não por empatia dormente
Mas p'ra repetir tortura

Que te atinge e consome
Com tua permissão e consentimento
Corrói-te para teu sádico prazer
De amar, tal sentimento.

Oh que dissertações
Que explicações, tal luz!
Mas quem ama não gosta
Do que o amar também produz

Pois amar é escolher sangrar
Pelo prazer conferido pelo fio
De afiada espada, de dois gumes,
Com a qual brincamos, com pouco brio.

Mas que sei eu para que escreva,
Quem sou eu para ser ouvido,
Meus cortes na mão, suas lembranças cicatrizadas,
São provas de um brincar arrependido

Mas tal espada, que ainda manuseio
Com pouco cuidado, p'ra meu sádico prazer
Vai compensando cada corte,
Pelo prazer de tal espada ter

Não pela execução de sua banal função
Mas pelos resultados (contra)producentes
Tal figura d'estilo uso
Para explicar escritas incoerentes

De razão tem pouco,
Mas errado seria racionalizar este sentir,
Não se gosta de amar pois é razoável,
Mas sofrer-se por opção já é de rir..

Ouso plagiar:
'Sofro, logo sinto',
Amo, logo penso,
E se penso, logo sofro

Sábado, 3 de Julho de 2010

Sonho - Diálogo com Um Alter-Ego



Perguntei-lhe: "Porque choras?"
Respondeu-me: "Porque não?"
Não tive resposta, não pestanejei
Não reagi, sustive a respiração

Talvez soubesse em outra consciência
Que talvez não o pudesse fazer
Ou talvez pudesse, mas seria ironia
Que agora seja preocupado o meu Ser

Pranto e clamor por mim causados
Que pude cessar e não o fiz
Que o posso agora e não o sei
Pelos quais pergunto, ninguém me diz

E pareço poder atenuar
Só não sei como começar
E quanto mais me preocupo mais lhe dói
Parece ser melhor nem sequer tentar

E seu sofrimento também sinto
Excedendo o que a compaixão permite
Pergunto onde lhe dói, como se não soubesse
Onde tal dor nasce, pois também a sinto

Mas entrementes esse mar de sentimentos
Entretanto à lógica florescia
Pois só agora, tarde na hora
Pergunto a medo, Quem seria?

A que me responde "tua"
E emito um som, como que a retorquir
Tendo por resposta: Sou a outra,
Aquela a quem não quiseste ouvir.

E permaneci imóvel,
Curto de palavras
Ela prosseguindo explicava
Sou outra consciência, a que não escutavas

"- Porquê agora?
Porque não falaste antes?"
"- Disse pois, noutra hora,
Numa em que eras errante."

E mandei-a calar,
Cessei de ouvir,
Perguntou me alguém,porque chorava,
Respondi: "Não, estava a dormir".

A mascára certa vs A certeza da máscara

Ó Ser poluído
Por certezas que redundam
Que se mascaram de insubmersíveis
Quando igualmente se afundam

E pouco compreensível
É de que se mascaram?
Serão máscaras de certeza
Serão certezas que se questionaram

Mas se me pergunto
E me acho pouco certo
Talvez tal máscara me perturbe a visão
Talvez tenha d'olhar mais de perto

E me permita perguntar
Não questionando no entanto
Tais certezas ou razões
De tais máscaras, de tal pranto

Que são várias, me descaí
Pois de contextos não há fim
E minha vontade d'os integrar
Será portanto, amíude assim

Será paridade de minhas certezas
Que parecem por fingimento
Mas se me mascaro do que sou
Porque finjo, por que tento?

Sou certo de ser eu
Sou certo de me fingir a mim
Estou certo de a cara na minha máscara
Ser a minha, e dado assim,

Minha máscara é protecção,
Um resguardo para minha face
Para que meu perfil nunca sofra
Por ser eu mesmo sem que máscara usasse

Uso-a para a poder tirar
Comprovando anterior protecção
Provar ainda a quem certo esteja
Posse da máscara certa que a certeza enseja

Domingo, 6 de Junho de 2010

Já mudaste o mundo hoje?

Já mudei o mundo hoje? Não, esqueci-me...fica para amanhã, a não ser que o mundo acabe, mas assim sendo também não valeria a pena mudá-lo hoje...que se protele...sim agora tenho percepção, mudar o mundo, em sentido lacto, afigura-se utópico, mas aí reside a beleza da relatividade, pois o mundo de Alguém, não será correspondência perfeita do mundo lacto, e esse sim eu mudo, esse sim eu salvo, e então me requestiono, Já mudei o mundo hoje? não, mas vou fazê-lo...pois neste sistema não demora um dia a voltar-se sobre si próprio, pois sou eu que suporto, sou eu que o faço girar, será gravidade? não mas gravoso seria se assim não fosse, talvez tivesse de esperar por estações, que regularmente polinizassem tal Carmelo... Mas ainda não sendo sol desse satélite habitado por crepitâncias em minha direcção, brilho por e para que nele a vida seja mais agradável, mudo me a mim, e ele muda em consequência...Escolhe pois em mudar o mundo de teus satélites, ou aqueles que orbitas, pois o mundo lacto, não será mais do que a soma de todos os mundo pessoais nele presentes, que se todos forem mudados, ainda que sem herói singular, o mundo mudará...

Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Tensão Antecipada, pré?

Eu, sim, pretensioso!
Que navego, por entre ondas de pre-tensão
Não que sinta por antecipação
Talvez a sinta, no coração

Qual farol, em cabo estendido
No azul imenso, contra forças divergentes
Por pretensão entraste no imenso, desconhecido,
Iluminaste tais ondas, até então dormentes

E ainda que estas vivessem
Plenas na sua escuridão imensa
Agora que viram p'lA Luz
A pretensão virou pertença

E se navegar é viver
E se porto é paragem
Meu navio, qual meio para fim
Deste porto, não prossegue viagem

Pois tal farol que brilha por mim,
Ainda que não me peça p'ra não ir
Ainda que não brilhe para m'orientar
Certamente brilhará para me fazer sorrir

Tu que brilhas, porque o fazes?
Oh sim, tu! iluminada,
Qual foco, no meu imenso,
Criaste vida no azul, a partir do nada

Pois ainda que o barco não passe
Não desesperes, ou antes, espera
Talvez este no porto esteja
Aguardando a luz, d'uma nova era

Sim porque sabendo que não brilhas
A querer m'orientar
Repito que agora que vi a luz
Ando com vontade de a enxergar

Não costumo olhar nesta de frente
Pois seu brilho ofusca-me a visão
Minha retina castiga-me, está dormente
Não consigo pre-parar tal tensão

Mas brilha, por favor cega-me,
Ainda que não veja, p'lo menos possa sentir
Pois tal brilho, tal luz instensa,
De tão forte ser, ao tacto faz transmitir

Informação que porventura possa
Substituir visão inexistente
Para que ainda cego, eu veja,
Teu forte brilho, por entre a gente

Por isso, ó portentoso farol,
Em teu porto,pernoito esperando
Fielmente, escondendo, aguentando
Gostando não pouco de te estar amando

Sabes bem, porto seguro,
Não que conte contigo desde
Mas conto contigo para,
Pois tenho a certeza que um dia hás-de
Ser meu porto, e eu ser teu Sara...

Domingo, 28 de Março de 2010

Beco sem saída

Opções, que liberdade
Ideais de muitos, pesadelos de alguns
A favor da qual muitos lutaram
E destes que perecem, livres? nenhuns

Querer liberdade não é fazer escolhas
Querer liberdade é aceitar consequências
É escolher um futuro
Tendo o presente e passado como evidências

É tomar o lado esquerdo da bifurcação
Só porque assim achamos bem
Ou porque para lá nos leva o coração,
Mas certeza ninguém tem

Mas este sentimento para alguns é certo
E os guia por pastos relvosos
Orienta-os com certeza do além
Permeio a que não fiquem temerosos

Ou ainda que, não transparecem
Qual rocha baluarte, fundação de ser
Estes não tremem, nem estremecem
Parecem não poder perecer

E qual areia húmida,
Ligada pela resistência deste sedimento
Também sou rocha, não translúcida
Parece também, não poder sofrer perecimento

Mas minhas fundações são frágeis
Ou assim eu as penso
Seriam elas em tempestade ágeis?
Seria tal sedimento suficientemente tenso?

Que permitisse que ainda falsamente
Ousar parecer baluarte
Para que minhas escolhas de caminho
Pareçam menos sorte, ou mais arte

Portanto só anseio
Ter asfalto por onde escolher
Pois mal estarei eu
Quando num beco, perecer

Domingo, 7 de Março de 2010

Cauteriza e alberga, tendo ainda redundante imensidão naturalmente ávida - O gosto

Este grado que hoje desfruto
Será eterno, ou terá termo
Será finito no tempo absoluto,
Ou será vasto qual ermo?

Sim, agora me questiono,
Confortável pela ferida sarada,
Convencendo-me que já não tenciono,
Convencendo-me de forma errada,

Pois já não gosto é da actual imagem,
Do objecto, alvo de tal grado,
Que se transfigurou, com'outros fazem
Com nova forma, face ao passado

O que verdadeiramente se duvida,
É se gostar é finito,
Pois ainda que porventura intervale,
Este não pode em tempo ser sito

Pois o palato que me informava
Foi, é e será imutável,
De Aromas, fragrâncias e odores,
Das que então me aprazerava
E ainda hoje apetecível
Me causa gosto e proporciona dores

E sendo cada consciência,
Edificação mantida por percepção,
Eu percebo que apenas não gosto da actual imagem,
Do objecto que um dia me roubou a respiração

De quem causa aquele vazio,
Pois reservou para si lugar,
Onde tal imagem era venerada,
Onde tal querer era de gostar

Que já não é para se preencher,
Nem sequer pode sentir,
Não sofre pois cauterizado está,
Suturado de seu triste fluir

Mas o objecto ainda alberga esplendor,
Na riqueza que tal imagem suportar
Que talvez não suscite grado,
Que talvez não seja de gostar

Pois tal espaço cauterizado,
Ainda que não sinta,
Ainda é ocupado,
Por imagem em outrora extinta

E que da actual divergiu,
Mas que gravada ficou,
E ainda agindo como quem não sentiu,
Esta imagem que também gostou,

Pois consciente agora estou da percepção
E do grado que esta me permite,
E ainda que sem sentidos, sei
Que tal gostar não sabe limite

Por isso digo e admito,
Ao objecto que me suturou
Que por este outros sinto,
Mas que pela sua imagem gosto ficou

E este gosto que não se finda,
Já não se redunda em incomodar,
Apenas se insta em lembrar,
Que eterno e fácil é de gostar

NOTA que ainda que me engane ao perceber o objecto
A imagem deste é percepção de minha posse
Mesmo assim sendo por tal posse me permito pensar
O ser passado realidade, pensar que fosse

Continua portanto mutável
Titulando a soma que pude calcular,
De informações primariamente marginais
Que podem no último se findar